Neste último ano, estudei a fundo a indústria e o perfil do consumidor no cenário LATAM para ampliar os nossos serviços na Equilibrium. O mercado da região é otimista e as equipes de todas as empresas em que me reuni nesse período sabem que a América Latina está pop. E quer saber a boa notícia? Os investimentos virão, apesar de ainda serem escassos. Agora, vou dividir com vocês alguns dos achados dessa minha imersão.

Apesar das barreiras de imposto e burocracias, temos uma onda crescente de empreendedores de alimentos mais saudáveis na região, fomentado justamente por certa inconformidade e também por nossa diversidade cultural que nos torna mais criativos e abertos a superar desafios. Nos países de língua espanhola, o horizonte das startups de outros setores parece ser maior. Nascem Unicórnios em diferentes setores, até na Argentina. Dizem os especialistas que deve-se à ambição de dominar toda a região pelo idioma, uma vez que a extensão territorial é menor. Já no Brasil, temos um potencial tão grande de consumidores que geralmente pensamos apenas localmente. Porém, contrário a isto, no mercado de alimentos estamos adiantados.

A minha paixão por rotas criativas para introduzir a nutrição como estratégia de inovação no setor alimentício me leva a estudar principalmente as empresas em forma de startups. Isso porque é justamente este perfil de empresa que tem gerado uma inovação mais disruptiva – no mundo e aqui também. E, além das startups, empresas familiares mais idealistas, mesmo com longa jornada, que se reinventam e criam linhas focadas em saúde. Qual o ponto em comum destes dois perfis de empresas? Autonomia, propósito dos empreendedores, agilidade nos processos e pouco medo de errar. (talvez aqui possam linkar com os artigos anteriores).

O Brasil já é um território fértil para startups no setor alimentício, visto o público que valoriza a vida saudável e o mundo fitness, evidente no saldo de celebridades fitness nas mídias sociais; ou por redes de grande porte, como o Grupo Pão de Açúcar, com grande visibilidade, e o Mundo Verde, que apostou em linhas completas para o segmento. Ainda podemos acrescentar a estes fatores a explosão de vários centros urbanos no país, que levou o público a comer mais fora de casa, e pela inserção da mulher na força de trabalho, algo bem menor, por exemplo, no território mexicano. Na Argentina, pude visitar uma espécie de rede de lojas de produtos saudáveis, a Quel, recém-inaugurada e com projeto de expansão e que tem como sócio a maior rede de farmácias do país, a Farmacity. E este fato já mostra o potencial, mesmo em mercados mais tímidos.

Este cenário tende pouco a pouco a levar a fragmentação da indústria alimentícia, como ocorrido principalmente em países europeus e na América do Norte. No entanto, na América Latina ainda é diferente: poucos players da indústria controlam a maior parte da venda de alimentos. E este é justamente um dos motivos pelos quais os governos se preocupam e se empenham na regulamentação. Pois não querem que alimentos massivos e baratos, mas com pouca densidade nutricional, sejam a principal opção de sua sociedade.

Diferente do Brasil, no México as startups de alimentos ainda são tímidas. Entretanto, as empresas familiares e tradicionais com proposta saudável, por essência ou por inovação, são adquiridas por companhias multinacionais. Foi o que aconteceu com a Santa Clara, indústria láctea recém comprada pela Coca-Cola; e a Salmas, de crackers e tortillas assadas, adquirida pelo grupo Bimbo. Com o olhar visionário para este mercado, as grandes corporações sabem que este é o futuro. E a estratégia destas gigantes é se aproximarem para encubá-las ou comprá-la.

O que os times de R&D e as empresas de ingredientes podem aprender com tudo isso? Na minha visão: 1) Minimizar os gaps entre os times de R&D e Marketing para um trabalho de inovação conjunta, evitando burocracia no processo; 2) Aproximar destas mentes tão empreendedoras para avaliar como pensam e como conduzem seus processos de inovação.

Lembrando que o cenário regulatório em toda a América Latina, impulsionado pelos impostos mexicano sobre bebidas açucaradas e advertências nas rotulagens em tramitação no Brasil e já presente no Chile, Peru Uruguai, torna a pressão sobre as grandes empresas ainda maior. O que leva o mercado a focar em uma reformulação, baseada em redução de gordura, sódio e açúcar ou acréscimo de nutrientes. Por outro lado, startups já nascem diferente, com um produto formulado de forma mais intuitiva e, geralmente, partindo de um ingrediente mais natural. Deixo vocês com a reflexão: Como a indústria de ingredientes está se preparando para esta oferta e mindset, que Ginnings chama de “Whole Food Innovation”?

E falando em whole foods innovation, veja a starup deste empreendedor chileno que tem como propósito levar uma alimentação mais nutritiva e mais barata para a população de baixa renda: Algramo. Pode imaginar o impacto deste projeto?

Fica claro que o momento de transição de comportamento do consumidor diante da nova economia, mais simples, mais disruptiva e mais revolucionária, começa a influenciar os negócios de alimentos na América Latina. E apesar de nossa rica cultura alimentar com hábitos e comidas muito típicas, ao herdarmos comportamentos globais, também começaremos a comer de forma diferente. Seu negócio está preparado para inovar neste cenário?

Conecte-se conosco e com este novo mundo das starutps de alimentos. Nosso grupo de Network já está crescendo e, em 2018, traremos muitas novidades.

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Por Cynthia Antonaccio para Food Ingredients South America

Sócia-diretora da Equilibrium