O dia a dia das pessoas é movido pela palavra. A palavra é o que denomina tudo e abrange
todas as formas de se comunicar. Através dela, podemos expressar sonhos, vontades, frustrações
e afetos. Ana Holanda, Editora-chefe da revista Vida Simples, trouxe um pouco da sua palavra para
esta edição do BHB, para promover uma conversa sobre como o que comemos nos conecta.

Uma das principais ações que as marcas precisam compreender é que a comunicação não é puramente
técnica. Claro que existem metodologias para alcançar um objetivo comunicacional, mas antes de tudo
isso, ela precisa estar relacionada a relação. Ana Holanda fala que a comunicação é construída por pessoas
e pessoas estabelecem relações. A partir do momento que algo começar a fugir dessa curva,  é necessário
observar esse modo de se relacionar e perguntar: “o que nessa relação não está dando certo?”.

A jornalista afirma que, aproximadamente, 90% da comunicação produzida é subutilizada, sem uso ou
fim direto. Isso impacta demais na construção da ação estabelecida para a palavra. Mas mesmo com
essa perda, a palavra consegue encontrar uma conexão para se propagar e essa união acontece com
a comida. Ana explica que “A escrita e a comida são muito parceiras, porque as duas percorrem
caminhos muitos
estreitos dentro da gente”.

A comida estabelece contatos. Porque a comida é um afeto. Quando nos propomos a preparar algo
para alguém especial, em situações específicas ou mesmo apenas saímos da inércia e vamos elaborar
um prato ou uma refeição, nós estamos, de uma maneira diferente, estabelecendo uma comunicação.
Estamos ali informando afetos, construindo relações e estabelecendo critérios para a condução profunda
sobre o que queremos falar através da comida.

Um dos exemplos usado pela editora-chefe foi da construção da relação com a sua mãe. Ela relata que
um dos seus projetos envolvendo a comida e a palavra começou a partir da observação que ela estabeleceu
do cotidiano da sua mãe na cozinha. Em sua visão, mesmo que a mãe dela não verbalizasse nenhuma
palavra de afeto, a dedicação e energia empregada para a preparação da comida representava o amor
que sua mãe sentia para a família. “FOI ATRAVÉS DA COMIDA QUE EU REFIZ A RELAÇÃO COM A
MINHA MÃE, QUE ERA PAUTADA NA COZINHA“.

A conexão entre as palavras e a comida possibilita o encontro. E toda comunicação precisa encontrar
um receptor. A palavra precisa atingir o que é profundo nas pessoas e nas marcas, quando isso não é
alcançado, o encontro é direcionado a superfície, e superfícies encontram superfícies, deixando o diálogo
dessa comunicação mais raso.

Assim, o “conteúdo não conecta e ninguém reflete sobre essa produção comunicacional”. Todos os
encontros e conexões entre o alimento acontecem quando existe a possibilidade de “habitar o outro. E a
palavra e a comida conseguem fazer isso de uma maneira muito bonita e profunda”, saindo da superfície e
penetrando no seu consumidor. Essas alternativas só vão se tornar reais a partir do momento que as marcas
conseguirem passar o que é viver a vida através de seus textos. “A escrita é um exercício permanente de
amor e coragem”, trabalhar essas camadas ao se relacionar com a comida é verbalizar sensações,
sentimentos  e sabores.

A relação das empresas com o seu produto precisa estar bem definida para conseguir estabelecer uma
comunicação com seu público. Dessa maneira, é possível se conectar com o mundo através de muito
amor, palavra, afetos e comida.

Confira o depoimento da Ana Holanda no BHB FOOD 2019: