Conhecer o gosto dos consumidores é essencialmente importante para conseguir
expandir o capital social e econômico das marcas. Maria Alice Narloch, Analista de
Pesquisa da Euromonitor Internacional, trouxe para a 9ª edição do BHB as principais
estratégias que as empresas precisam aplicar em seus portfólios para participar dos
processos de revolução da alimentação no Brasil.

De acordo com as pesquisas da Euromonitor Internacional, de maneira global,
65% dos respondentes entrevistados gostariam de modificar seus hábitos alimentares,
melhorando a forma em como consomem seus alimentos. Maria explicou que “os
atributos preferidos em um produto é 100% natural, e que isso atinge 50% dos
respondentes”. As pessoas estão a cada dia mais em busca de alimentos que promovam
bem-estar ligados a todos os campos da saúde, contemplando a saúde física e mental.

Para buscar formas de atender as demandas desses consumidores, a Euromonitor
Internacional classifica em 5 grandes caixas as necessidades que esses consumidores
tem e o que a indústria tem a oferecer dentro delas:

  • Fortfield Functional – é uma “cadeia com 2 extremos”, que visa atender os
    consumidores idosos e as crianças. E ofertar uma nutrição adequada para esses
    grupos de pessoas, principalmente para o público infantil, que tem boa parte do
    seu desenvolvimento cognitivo ligado a alimentação.
  •  Better For You – a nutrição alimentar é essencial para a promoção desse bem-
    estar, principalmente porque no Brasil 20% da população está obesa, e, “existe a
    fome oculta, por mais que a pessoa esteja obesa, os índices nutricionais não
    estão corretos”. Normalmente, os produtos dessa cadeia vão reduzir alguns
    ingredientes ou nutrientes que causem “algum dano quando consumido em
    excesso, como açúcar, gordura e sal”.
  • Free From – o mercado também é instigado a atender as questões de
    saudabilidade das pessoas com prevalência em alergias ou intolerâncias. Assim,
    o desenvolvimento de produtos sem glúten, lactose e tantos outros auxiliam esse
    grupo de consumidores.
  •  Organic Free From – atender o objetivo de reduzir o processamento de
    alimentos faz parte também do propósito de alinhar os objetivos da indústria
    alimentícia com os objetivos de sustentabilidade global, como os estabelecidos
    pela ONU. As pessoas tem mais consciência ambiental e buscam alimentos que
    contribuam com a preservação da natureza.
  • Naturally Healthy Organic Free From – “O Millennial quer um produto vegano
    e vegetariano”, com uma demanda de produtos menos processados. Essa ideia
    de consumo de alimentos menos processados começou no Brasil e se espalhou,
    pautando essa ânsia de consumir um produto mais natural.

Hoje, as grandes indústrias precisam aplicar uma redução mais esperta de
ingredientes, intensificar o conceito de saudabilidade em seus produtos e compreender
as oportunidades de novas plataformas, como a indústria de plant-based.

Além de assimilar este aspecto do consumidor, os grandes players devem começar a
inserir em seu mercado os produtos da cadeia free from, porque hoje “é uma norma
no portfólio. Não é legal ter, é necessário ter! Sejam empresas grandes como
empresas pequenas”.

É fundamental conhecer o consumidor, realizar pesquisas em feiras,
supermercados, locais de compra. Os grandes players são ameaçados pelos
pequenos players por conta da falta de contato com seu público e dos processos
mais simples de produção. Para atender seus desejos, é essencial participar do
cotidiano desses consumidores, para assim, compreender que ele precisa estar no
centro e, desse modo, integrar o bem-estar na pauta de consumo das pessoas.

Confira o depoimento da Maria Alice Narloch no BHB FOOD 2019: