Hoje, o consumidor quer viver boas experiências e não quer abrir mão do
comodismo e do bem-estar para obter produtos expostos nas gôndolas. Isso pode ser
notado quando observamos o comportamento das pessoas em relação a redução do
consumo de carne animal. A geração Millenial e a geração Z possuem consciência sobre
a relevância dessa delimitação, mas mesmo assim não quer deixar de consumir
alimentos que nutrem seu bem-estar psicossociocultural.

Giuliana Vespa, Head of Sales da NotCo, apontou durante a palestra ‘Hackeando o
comportamento do consumidor saudável’ que as pessoas não ‘desapegam’ desses gostos
porque “a comida é maravilhosa. Comida é cultural, todas as celebrações da nossa vida
são com comida”. E, de fato, todas as pessoas possuem alguma lembrança de uma data
especial, um aniversário, um evento em família, uma reunião de amigos e cada uma
delas possuem alguma ligação com comida.

Mesmo com essa memória afetiva presente, em 30 anos, o cenário alimentar será
diferente, mais tecnológico e mais intuitivo, da mesma forma que serão todos os outros
campos sociais. Passamos por uma revolução sobre como escolhemos o alimento que
colocamos à mesa. A compreensão de que é necessário inserir mais produtos naturais na
rotina é complexa, porque é difícil mudar hábitos alimentares. Atualmente, o plantio
mundial é voltado, em boa parte, para a produção de alimentos para os animais,
entretanto, como seria se esse processo fosse revertido para o plantio de alimento para o
homem?

Pensando nisso, a NotCo, foodtech fundada em 2015, desenvolveu a Giuseppe,
inteligência artificial que através de algoritmos, explora as possibilidades para a
reprodução de alimentos de origem animal com o uso de outros elementos para sua
produção, como ovos e grãos.

A Giuseppe realiza o cruzamento de dados de diversos alimentos de origem
animal e dos nutrientes necessários para compor a reprodução em uma versão de
alimento vegetal. Assim, é possível produzir um sorvete à base de ervilha ou um leite
vegetal. E nenhum desses produtos vão deixar de ter o gosto que os paladares já estão
habituados. Para a NotCo, o uso desses dados distribuídos na Giuseppe possibilita a
“democratização do consumo de alimentos saudáveis”.

Claro que o uso dessa inteligência não é a solução completa para os problemas
ambientais, mas é uma possibilidade aberta as mudanças do mercado do futuro. Até
porque, neste momento, apenas 11% dos vegetais são utilizados pela grande indústria
para a produção alimentícia.

É possível “levar para todo mundo os mesmos alimentos, as mesmas sensações,
só que com vegetais”. E a NotCo mostra como isso é a revolução da comida diante das
gerações que buscam tantas alternativas para questões de bem-estar, saudabilidade e
preservação do meio ambiente. Os produtos da startup chilena abrangem um grande leque de variedades,
com maionese a base de plant-based, sorvetes, hambúrgueres e um ponto de vista singular, que prova que
não é preciso perder o prazer nas memórias alimentares para ter uma alimentação saudável e que,
com a era digital, é possível ‘hackear’ o comportamento do consumidor para entender essa nova demanda.

Confira o depoimento da Giuliana Vespa no BHB FOOD 2019: