As escolhas do consumidor nunca foram tão holísticas. O que ele consome representa não apenas uma escolha, mas sua identidade, seus objetivos e estilo de vida. A frase anterior traz um pouco do que discutiremos no capítulo “Ser Humano” da terceira edição do relatório de tendências em alimentos e bebidas QTrends 2020. E reflete também um pouco do que o recente estudo da Nielsen, Estilos de Vida 2019 traz em seus resultados. A preocupação com a saúde e o meio ambiente estão ligados de tal maneira, que passam de fato a interferir nas escolhas no ponto de venda, como mostra os dados a seguir:

  • Práticos: 55% dos entrevistados vai direto à loja para efetuar a compra;
  • Conectados: 64% possuem um smartphone e 79% gostam de interagir com suas marcas  preferidas pelas redes sociais;
  • Saudável: 57% reduziu o consumo de gordura e 56% diminuiu a ingestão de sal. Esse shopper declara ir ao médico ao menos uma vez por ano, ter aumentado o consumo de orgânicos e diminuído a ingestão de açúcar e industrializados – já representa 28% da população brasileira (Estilos de Vida 2018). Os domicílios formados por eles são, em sua maioria, compostos por 3 a 4 indivíduos, sem crianças e pertencentes ao nível socioeconômico (NSE) A e B, apresentando um maior ticket médio e indo mais vezes aos pontos de vendas. No entanto, mesmo com maior incidência no NSE mais alto, a busca por um consumo mais saudável e sustentável vem permeando todas as faixas da população brasileira, indo além de uma segmentação demográfica. 73% desses consumidores afirmam que gastariam mais com marcas que se preocupam com o meio ambiente, porém, 43% deles declaram que ainda é difícil encontrar produtos sustentáveis nas lojas. Além disso, 44% gostariam de ter mais opções de produtos orgânicos, 26% adotaram uma dieta livre de glúten e 15%, sem lactose.
  • Negociador: 64% escolhe as marcas pelo baixo preço e 60% disseram pesquisar sobre os produtos e preços em aplicativos antes de ir à loja;
  • Sustentável: 42% está mudando seus hábitos de consumo para reduzir o impacto no meio ambiente, que aparece como uma das 10 principais preocupações do brasileiro, ficando atrás apenas da violência, serviços públicos, aumento no custo de vida, educação e economia. Além disso, 28% dos lares já adotam medidas saudáveis, destacando-se com maior frequência de compras e ticket médio mais alto em todos os canais

Os produtos classificados como saudáveis vem impulsionando o mercado de bens de grande consumo, crescendo 12,7% em faturamento no último ano, o que representa 5% do total faturado. Destes, os segmentos sem glúten/sem lactose, fresco/natural/orgânico e diet/light/zero recebem o maior destaque, somando 61% de importância e contribuindo com 75% do crescimento na categoria de saudáveis. 

Em  Higiene e Beleza, além das embalagens refil, produtos com ingredientes naturais são destaques deste movimento, crescendo 18%, frente ao incremento total de 3,5% da cesta (2018 vs. 2017). Já no segmento de Limpeza, embalagens sustentáveis e elementos menos abrasivos têm sido as alternativas mais recorrentes para atender tais demandas.

Todo o ecossistema, da produção a venda, está (e deve!) se movimentando para atender este consumidor, que como descrevemos no início do texto, consome para se expressar. E quando falamos de comida, come-se por necessidade, por saúde, para socializar, pela cultura, por quem somos hoje e por quem queremos ser amanhã. É um ato biopsicossociocultural*

*Instituto Nutrição Comportamental

Fonte: Nielsen